riding with a ghost

Desconfio que o Francisco Louçã anda a cavalgar sem cavalo e ainda não reparou. Não lhe digam nada, não me parece que seja um tipo fácil de contrariar. Numa entrevista ao i, aquele jornal que ainda não o é, disse coisas do arco da velha*, não se sabe muito bem a quem. Ele julga que se dirige ao seu eleitorado, como se tivesse um, exactamente na mesma medida em que o herdeiro da Coroa cá do sítio julga que se dirige ao seu reino quando fala, só porque o seu bigode é descendente do fundador da nação. A Francisco Louçã parece bastar um resultado eleitoral, logo ele que gosta de lembrar que as pessoas não são números. Eu tenho medo dele, por isso vou ficar caladinho, mas apetecia-me explicar-lhe que o eleitorado dele tem aspas e olha para o Bloco de Esquerda de um modo puramente instrumental. Quando é útil. Eu sei, porque sou um desses vendidos à utilidade. Ele que se cuide.
* Coisas lindas, aliás: que é prioritário sairmos da NATO; que a guerra do Afeganistão não passa de protecção a um governo de traficantes de droga; que o Obama é um calculista eleitoral que não merece grande crédito; que o actual Governo foi a voz dos interesses económicos dominantes em Portugal (conceito demoníaco abstracto que até hoje não entendo - era capaz de jurar que esses interesses são do interesse de todos). Enfim, num país ideal, Francisco Louçã seria um demagogo; na realidade, é bem capaz de acreditar no que diz.
(fotograma de Monty Python And The Holy Grail, de Terry Gilliam e Terry Jones, Reino Unido, 1975)


6 Comments:
You bet.
Eu daqui fiquei com uma suspeita:
Estás a insinuar que os bloquistas são os cavaleiros que dizem "Ní"?
Se sim, é uma proposta interessante.
O que eu insinuo é que a generalidade dos políticos, à esquerda e à direita, são cavaleiros que dizem "ni". De qualquer modo, este post não é sobre o Bloco de Esquerda, mas sobre o Francisco Louçã. Não confundo os dois. De resto, lamento se desiludo alguém mas o Bloco de Esquerda até é um dos partidos que já conheceram o meu voto. Mas como não tenho fidelidades partidárias e voto de acordo com a minha consciência e com o momento, a probabilidade de andar por aí a bater em todos é grande. Até porque a estupidez, como se vê, abunda.
Já agora, esclareço mais um ponto, como acabei de fazer numa caixa de comentários alheia: eu acho muito bem que a relação dos eleitores com os partidos seja "instrumental". Aliás, acho que é a única relação responsável. Acontece que habitualmente os líderes políticos não têm essa consciência e preferem uma relação clubística, como me parece ser o caso. E é pena, para dizer o menos.
Eu também me considero apartidário. Não tenho a "sorte" de me conseguir identificar totalmente com qualquer partido, além do mais porque acho que essa identificação (ou lealdade) acaba por ser muito perigosa e por vezes semelhante à cegueira com o clube de futebol. Quando são clubes de futebol ainda é uma coisa, quando se trata de política é muito mais perigoso.
E também não consigo evitar ficar irritado com todos os partidos, embora mais com uns do que outros.
a "running" (em vez de riding)
é um grande tema do james.
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